Um filme dirigido por Murilo Salles com Leandra Leal.
Baseado na obra de Clarah Averbuck.

O filme "Nome Próprio", de Murilo Salles, terá pré-estréia grátis para usuários do MySpace neste domingo, 13/08, Dia Internacional do Rock n' Roll

Depois de curtir trechos exclusivos e montar o trailer do filme, agora os usuários do MySpace poderão conferir o longa-metragem "Nome Próprio" antes mesmo da estréia nos cinemas. E o que é melhor: de graça. A exibição será no dia 13 de julho, domingo, às 21h30, no Unibanco Arteplex, sala 9, em São Paulo.

A exibição contará com a presença do diretor Murilo Salles, da atriz Leandra Leal e da escritora Clarah Averbuck, que depois da sessão, terão uma conversa com todos os presentes!

Para pegar a PULSEIRA que dará acesso à sessão é simples:

- Imprima seu perfil MySpace
- Vá até o Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca e procure os promotores MYSPACE. Daí, é só trocar o perfil pela pulseira que VALE COMO INGRESSO PARA O FILME!

Os promotores estarão no local neste domingo, das 14h até a hora do evento! Não deixe para a última hora!

O Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca fica na Rua Frei Caneca, 569, 3o. piso, próxima à Estação Consolação do Metrô, em São Paulo, Capital.

www.myspace.com/nomepropriofilme

Depois de um verdadeiro pega para capar nos comentários do concurso do trailer, anunciamos com enorme prazer o vencedor!


Philipe Grillo (edição de vídeo) e Léo Grijó (trilha sonora e soundesign)



Gostaríamos de agradecer a todos que participaram do concurso, mandando seu videos, votando, fazendo verdadeiras críticas cinematográficas para justificar o voto. Ficamos muito surpreendidos e contentes com o resultado. Mais uma vez gostaríamos de parabenizar os três finalistas pela alta qualidade dos videos e pelo empenho no concurso.

620 votos para três vídeos chochos?

Não dá para entender!

Vocês realmente preferem ficar a noite toda na frente do computador vendo porcaria do que sair com uma gata para jantar? O que ta pegando? É grana, timidez? Porra, ta todo mundo broxa?

O filme vai estrear e eu quero sair para comemorar! Será que ninguém vai fazer uma proposta decente? Ainda estou esperando um convite que me convença e pelo visto, do jeito que está, vou ter mesmo que esperar sentada.



Nunca passei um dia dos namorados legal, com jantar, flores, vinho, sexo selvagem, essas coisas idiotas que todo mundo cobiça, mesmo que não assuma. Ontem não foi diferente. Como eu não quero esperar até o ano que vem para uma nova tentativa frustada, escrevam propostas, façam sugestões, me instiguem, e quem sabe não criamos um dia dos namorados especial, só nosso.

Camila Lopes

ULTIMO DIA do concruso!

É agora; amanhã não adianta mais. Vejam os trailers e votem! Em breve divulgaremos o resultado
.

Finalmente conseguimos decidir!

Em primeiro lugar, gostaríamos de dizer que nos surpreendeu a qualidade dos trailers enviados para o concurso. Ficou evidente a dedicação e o envolvimento das pessoas. Portanto, mais do que anunciar os vídeos selecionados, queremos agradecer a todos que enviaram seus vídeos, a todo o carinho demonstrado pelo concurso.

A seleção foi uma batalha. Uma batalha homérica.

Na verdade, não conseguimos decidir tanta coisa assim. Escolhemos 3 finalistas e vocês vão dar o voto de minerva!

Vejam com carinho os 3 vídeos selecionados e votem até sexta feira dia 11/07, aqui nos comentários deste post, no trailer que mais chamou atenção, que mais surpreendeu vocês.

Boa sorte aos três; que vença o mais sedutor!

ANONIMATO NÂO VALE! Para votar tem que mostrar a cara, ou no mínimo o nome!

Votem até sexta-feira - 11/07.


Philipe Grillo (edição de vídeo) e Léo Grijó (trilha sonora e soundesign)





Rodrigo Luques






Wotan

Pra quem não sabe, Viviane Mosé é a responsável pela redação e edição final dos textos escritos e ditos em off pela Camila no filme. Nem tudo que está lá foi escrito por ela, mas tudo passou pelas suas mãos, e é muito dela o tom lírico dessa voz feminina de Nome Próprio. E lendo um poema como "Outra carta", do livro já esgotado Toda Palavra, a gente entende o porquê desse convite.

Outra carta
(Viviane Mosé)

"Eu não sei se por esse vento frio entrando pela janela
ou quem sabe por esse vento frio entrando pela janela
ou mesmo por esse aconchego de meias de lãs e esse vento frio
entrando pela janela
ou por qualquer que seja o que for
[eu quero te dizer tantas coisas:
Todos os passos que dei um a um
[e todas as coisas que passaram
e tudo que foi se misturando ao que eu era.
Pra você ir sabendo o que sou
[posso cantar cada música que ouvi
e cada livro e cada bula de remédio e cada rosto
e cada tostão emprestado cada choro.
Os avisos e as ruas
[os andaimes as manchetes os incêndios os sinais.
Todas as manhãs. Todos os dias santos.
Tudo que me atravessou eu quero te mostrar
o corpo que ganhei esses anos os fios e as falhas
a voz e o avesso e o tempero e a calma.
Quero te contar o silêncio alcançado a custa de guerras
e as terras que plantei e os temporais. Os temporais.
E os nós na garganta.
É maio e eu morro de vergonha de falar de amor.
Mas esse vinho quem sabe veio aos verbos mostrar
que preciso de sua boca e seu cabelo e seu cheiro e sua mão:
eu não sou só verso
sou um corpo em lençóis de pele a te vestir como luva.
Meu corpo a te vestir
como luva.
Embriagada de vento e vinho penso na morte
e em seu pau duro".


Viviane Mosé é filósofa, professora, poeta de livros lindos, dizedora dos seus versos em palcos diversos, mãe do Davi, e responsável pela loucura maravilhosa de apresentar um quadro sobre filosofia no Fantástico. Como sempre acontece, uma função contamina a outra, a ação contagia o pensamento e bate-e-volta, e vice-versa, e o resultado é que tudo que a Viviane faz tem poesia dentro, e a poesia dela é cheia de filosofia.

Em tempos de exaltação de tudo o que é orgânico, a atuação da Leandra em Nome Próprio deveria ser vendida em lojas de produtos naturais e hortifrutis pelo Brasil afora.

E se a performance da Leandra é totalmente fluída, natural, orgânica, o figurino do filme entra no tom e não desafina. É um figurino não "figurinesco", um guarda-roupa muito do real, com peças que se misturam em combinações variadas no decorrer das cenas: uma camisetinha de alcinha usada com calça aqui e só com uma calcinha colorida acolá, uma saia jeans com blusa rosa de bolinha pro dia e com jaqueta preta pra noite, como é na vida de todo mundo, gente! Nada daquele desfiar interminável de "looks" a la Sex in the City, nada de marcas, nada de não repetir roupa, e apesar disso muita vaidade!

O mais legal é que isso fica estampado na tela porque toda essa fluidez rolava também no cotidiano do set: a Mariana Pamplona Iavelberg, figurinista do filme, concebeu esse guarda-roupa despojado e com cara de vida real que ficava numa arara indo pra lá e pra cá em todas as locações, e a própria Leandra escolhia o que vestir a cada cena, respeitando as regras de continuidade entre as cenas, claro, porque afinal de contas natural não é real, e o cinema, ainda que orgânico, tem as suas lógicas...

Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor.
Guilherme de Brito em música de Nelson Cavaquinho.

Este POST é uma homenagem / é tirado do livro ‘O Ponto da Partida’, o novo romance de Fernando Molica
Fernando me fez perceber que a “minha” Camila (que discussão pequena e imbecil!) , na verdade, descobri isso na semana passada, é uma homenagem a Nelson Cavaquinho. Assim se refere a ele o personagem principal do Fernando:
“O Nelson sempre viveu ferrado, sempre tomou porrada, sempre se lixou pra essa porra de mercado. Tava com fome? Vendia um samba, o dono do boteco virava parceiro porque deixou o Nelson comer de graça. Nelson do Cavaquinho foi o compositor mais generoso da música brasileira. Tem parceiro dono de boteco, de puteiro, gerente de hotel vagabundo, de espelunca. Os herdeiros desses caras devem estar até hoje orgulhosos: papai foi parceiro de Nelson Cavaquinho. É, parceiro: entrou com o bife, com o quarto, com a puta. Quer saber? O Nelson estava certo, danem-se. Chegou a dizer isso num samba dele e do Guilherme: “Eu que já vaguei nas madrugadas / E já fui o dono das calçadas / Pra todos aqueles que me estenderam a mão / Dividi meu coração. Olhem só que coisa superior: “Dividi meu coração”. Ele não reclama, não diz que foi salvo, que comeu, que bebeu, que trepou graças aos que lhe estenderam a mão. E, em troca, simplesmente, dividia seu coração. Poderia ter uma vida melhor? Podia. Mas não seria o Nelson Cavaquinho, o dono das calçadas.

Murilo Salles.

O mundo pode ser divido em muitas partes, a partir de muitas lógicas. Os ricos e os pobres. Os modernos e os conservadores. Os altos e os baixos, as mulheres e os homens, e aí os heteros, gays, bi, pan, etc e tal. E há uma categoria que define em muito a vida, dependendo da metade em que cada um se encontra: os que amam e os que odeiam a solidão.

Gostar da solidão implica em gostar da própria companhia, em não ter medo dos pensamentos que falam alto quando o silêncio se instala, e permite que o solitário evite roubadas fenomenais como noitadas equivocadas quando já se sabe que o melhor seria ficar em casa, porque estar com os outros é opcional. Quem detesta a solidão em geral não sabe se entreter sozinho, e cada minuto a sós é lento como o tempo na prisão.

Mas a solidão é um negócio complexo, e tem muitas facetas dentro de cada metade. Tem gente que vive bem sozinho, se curte e se aproveita, tem mil prazeres na própria companhia, mas não suporta não ter um amor. Esses não temem a solidão do ser, só a solidão amorosa, e partem pra bares e boates à procura de alguém pra dividir a vida, pra solidão ocasional ser uma escolha do momento, um estado passageiro, e não um fator permanente.

Camila é dessas, e como escritora não poderia mesmo desprezar as vantagens de estar sozinha. Ela adora o seu espaço, e não precisa de ninguém, a não ser de um amor incurável pra estragar seus dias e noites de silêncio...


Quem cujo dedo busca o gatilho
E agradece a falta da arma

Quem cujo medo assobia na noite
E rabisca nas revistas

Quem se trai nos gestos e quebra cartões e canetas
Quem morde o de dentro das bochechas
Quem morre de câncer
Quem morre do coração

Quem não dorme na tv de madrugada
Quem finge calma e bebe água
Quem range os dentes
Quem parte o espelho
Quem compra roupas
Quem lava o chão

Ninguém encara, de fato e por inteiro,
A solidão

Maria Rezende

Exibição contará com a presença do diretor, da atriz Leandra Leal e da escritora Clarah Averbuck

Depois de curtir trechos exclusivos e montar o trailer do filme, agora os usuários do MySpace poderão conferir o longa-metragem “Nome Próprio” antes mesmo da estréia nos cinemas. E o que é melhor: de graça. A exibição será no dia 13 de julho, domingo, e contará com a presença do diretor Murilo Salles, da protagonista Leandra Leal e da escritora Clarah Averbuck. A cidade e o local dessa sessão exclusiva serão anunciados no dia 08, no perfil do filme (www.myspace.com/nomepropriofilme).

“Nome Próprio” é uma livre adaptação cinematográfica dos livros "Máquina de Pinball" e “Vida de Gato”, de Clarah Averbuck, e de seus textos publicados na Internet, no site e no seu blog pessoal. Clarah é um jovem talento que migrou do boom de blogs da internet brasileira para a literatura. O longa estréia dia 18 de julho nos cinemas.

A pré-estréia exclusiva faz parte de uma série de ações do filme no MySpace. Vídeos exclusivos, teasers e cenas que não entraram no longa-metragem já estão disponíveis na rede e o público pôde interagir com a obra pela promoção “Monte Seu Trailer”. Foram disponibilizados 20 minutos do filme para que os usuários criassem o seu próprio trailer até o dia 6 de julho. O vencedor entrará nos extras do DVD, ganhará destaque na home da rede social e será exibido no dia da pré-estréia.

Dentro! Para dentro, interiorizado e sufocado em pensamentos. Esse é o espaço em Nome Próprio!

Um espaço esquartejado, sobreposto, múltiplo.

Real, virtual e mental se confundem, trocam de lugar, se revezam. Pulamos de um para o outro a cada mudança de parágrafo. Estamos na dimensão do pensamento, da linguagem, da palavra.

Vemos a Camila ou vemos o que ela escreve?

Não importa.

Estamos sempre num e no mesmo lugar, na cabeça de Camila.

Fica, então, a dúvida: como representar cinematograficamente esse espaço?

Estamos disponibilizando as primeiras fotos feitas das locações; o início da pesquisa de Murilo por construir esses não-lugares. A busca de pensar como a fotografia pode ajudar a criar um espaço mental; anulado, esvaziado, despersonalizado.
O filme é rodado todo em São Paulo, mas poderia ser em qualquer lugar. Não há nada nas locações que denuncie onde estamos. Não há marcos, apenas lugares. Lugares a serem preenchidos.

Quando surgiram, os blog costumavam ser chamados de "diários virtuais". Com o tempo se descobriu que eles podiam ter muitas outras funções e utilidades, mas o caráter de diário, de lugar onde se escreve o cotidiano, nunca desapareceu. Isso que parece fútil, parece bobo, ganha peso quando é perpassado pela literatura, quando quem escreve deseja, mais do que expor fatos, construir textos.

Tudo isso porque ontem na sua coluna de O Globo o escritor José Castello fala sobre o livro "As aventuras de um coração humano", que subverte todos esses conceitos: é um romance baseado nos diários pessoais de um personagem inventado! Um "falso diário íntimo", nas palavras de Castello. O escritor, o ganense Wiliam Boyd, conta a vida de um homem usando passagens das páginas supostamente escritas por ele, mas na verdade tudo, narração e citações, vem da mesma fonte, ambas saem dos dedos de Boyd, ganhador de prêmios como o Booker Prize for Fiction, e o Los Angeles Times Book Prize, entre muitos outros.

E José Castello, invertendo ainda mais a lógica corrente, defende que só mesmo um livro de ficção para apreender a vida de alguém. Nem biografias nem diários, diz ele: "só a literatura pode agarrar a vibração da vida. Só ela dá conta do vago e do invisível, que biografas e confissões, solenemente, descartam." E ele conclui: "Para que serve a literatura? Para que cavemos, em nosso próprio rosto, o que somos."

Também no filme a construção da identidade passa pela construção literária, e nós aqui vamos correndo ler "As aventuras de um coração humano". Porque não é a toa que "Nome próprio" tem esse título.

Chega de citação!

Depois de não sei quantas ilustres frases que variaram de Bukowski a Sta. Tereza D’Ávila, incluindo até frases nossas postadas com o nome deles, chegamos ao final do nosso repertório de erudição de botequim com uma frase de Camila Lopes. Deixamos o melhor para o final, é claro!


Hoje vou procurar a palavra que se perdeu, que escapuliu entre meus dedos, que escorreu por minhas mãos. Eu hoje vou conter nas letras esse fluxo que não para de me levar pra longe daqui. Eu hoje vou ficar aqui quieta, enquanto frases se formam, enquanto parágrafos inteiros se fixam na tela. Alguns fogem. E eu deixo que fujam porque sei que posso recuperá-los, melhores, adiante. Não me desespero mais. Encontrei o leito por onde escoar o meu excesso.

Camila Lopes.

As performances de Alessandra Cestac acontecerão, a partir de agora, nas 2ª, 4ª e 6ª às 21h.

"Querido Mário,
Como fiz durante anos te escrevi uma carta e demorei tanto para postar que ela ficou velha. Então resolvi começar de novo. Era mais fácil escrever para você quando você morava longe e não sabia o que acontecia comigo e eu contava que estava doente, que não podia mais beber e você me respondia dizendo que andava viciado em Jack Daniel´s, mas que não tinha dinheiro e então tomava um conhaque vagabundo mesmo. Tive muita saudade de você, porque ficamos muitos anos separados. Você teve outras namoradas e eu tive outros namorados que me perguntavam de quem eram aquelas cartas. Eram todas do meu futuro marido, mas eu ainda não sabia disso.
Eu coloquei muitas cartas numa caixa de correio que tinha ali perto da FAAP porque eu fazia uma peça lá. Aquela caixa de correio era a coisa mais legal que tinha ali porque eu sabia que uns dois dias depois você receberia minha carta e eu poderia inventar qualquer coisa e, porque a gente não se via, aquilo seria verdade. Eu morava num prédio que não tinha elevador e uma vez caí feio na escada porque subi correndo para ler uma carta sua que tinha chegado. Fiquei com um roxo na perna e me lembrava de você: "foi o Mário". Não tinha sido, mas eu queria que tivesse. E então um dia a gente se casou. E aquele moleque que eu achei lindo e para quem eu sorri descaradamente, que ficou conversando e bebeu comigo e tinha uma voz muito grossa que eu gostava de ouvir, o cara que tocava blues e escrevia peças e entrava em cena de um jeito que eu nunca tinha visto, meu Deus, esse cara agora era meu marido. E então eu teria que ser bacana mesmo, porque eu não podia mais escrever para você. Não podia mais me inventar para você. E eu beberia, dormiria e tomaria coca-cola na padaria com você. Apresentaria a você meu lado B e provocaria uma coleção de brigas cheia de figurinhas repetidas. Mas a gente tinha um colchão. E uma TV velha. E finalmente tínhamos um ao outro. E você era tudo o que eu queria. E todos os dias seriam plenos de amor e ódio. Ódio de ser contrariada, de ser abandonada em minha imaginação fértil e má. E você não sairia de dentro de mim nunca mais. Muitas vezes. E hoje quando você está na rua e liga para casa marcando de se encontrar comigo no cinema ou em qualquer outro lugar eu fico ansiosa e tenho taquicardia quando olho de longe e te vejo me esperando. E então eu sinto sua mão na minha cintura e sei que você é o mesmo cara que me escrevia e recebia meus postais vagabundos. E percebo que nunca, nunca mesmo, vou me acostumar com você. Você bem sabe do que tenho medo: de que você morra antes de mim e eu fique aqui com essas cartas e essas fotos. Eu que nunca me acostumei com você terei que me acostumar a viver sem você e então sentirei sua falta para sempre.E essa sim será uma grande sacanagem. Não faça isso com aquela garota que sorriu para você, roubou seu chopp e sentou no seu colo. Porque ela é sua agora. Um beijo enorme. Com amor, Fernanda."


Fernanda D'Umbra.

E-mail emocionado que Murilo Salles recebeu do escritor e roteirista Reinaldo Moraes na época da Mostra Internacional de Cinema de SP.

***

De: "Reinaldo Moraes"
Data: 31 de outubro de 2007 15h8min14s
To: Murilo Salles
Subject: VIVA O NOME PRÓPRIO!

Só escrevo pra dizer que o filme de ontem bateu fundo pá daná.

Tudo surpreendente, inventivo, tocante, desconcertante. A Leandra é a própria rainha-diaba bukowskiana tentando agarrar o diabo do amor pelo rabo enquanto a vida rola escada abaixo.

O uso do texto como cenografia eletrônica das seqüências ficou demais. E eu nunca tinha visto em cinema um sexo tão climático, dramático, sob aquela trilha pontual, precisa. É filme pra papar todos os prêmios em Cannes ou Veneza, se alguém, no lugar certo, tiver o bom senso de indicá-lo.

Quando o filme acabou, e eu consegui finalmente me descolar na poltrona, disse pro Murilo que tinha achado fantástico, claro. É o que todo mundo diz ao diretor no dia da estréia, mas, com um filme daqueles, é impossível o cara duvidar dos elogios. Na seqüência, ainda com alma de ponta-cabeça, usei um adjetivo deslocado: "Difícil." Claramente eu queria dizer forte. Fortíssimo. Uma paulada poética, estética, ética atrás da outra.

Cinemadireto na veia.

abraços cinemacôpicos - Reinaldo Moraes

Músicas de Camila