Um filme dirigido por Murilo Salles com Leandra Leal.
Baseado na obra de Clarah Averbuck.

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Um pequeno aperitivo para ficarmos degustando o sabor das horas a espera de Camila!









Dentro! Para dentro, interiorizado e sufocado em pensamentos. Esse é o espaço em Nome Próprio!

Um espaço esquartejado, sobreposto, múltiplo.

Real, virtual e mental se confundem, trocam de lugar, se revezam. Pulamos de um para o outro a cada mudança de parágrafo. Estamos na dimensão do pensamento, da linguagem, da palavra.

Vemos a Camila ou vemos o que ela escreve?

Não importa.

Estamos sempre num e no mesmo lugar, na cabeça de Camila.

Fica, então, a dúvida: como representar cinematograficamente esse espaço?

Estamos disponibilizando as primeiras fotos feitas das locações; o início da pesquisa de Murilo por construir esses não-lugares. A busca de pensar como a fotografia pode ajudar a criar um espaço mental; anulado, esvaziado, despersonalizado.
O filme é rodado todo em São Paulo, mas poderia ser em qualquer lugar. Não há nada nas locações que denuncie onde estamos. Não há marcos, apenas lugares. Lugares a serem preenchidos.

Sobra tanta coisa em Camila que algumas vão ficando para traz. Um sentimento, um rascunho de texto, um sorriso no canto da boca, uma cicatriz. Uma cicatriz?

Nem tudo passa! É justamente porque algumas coisas teimam em passar que Camila escreve. Escreve para poder lidar com os seus prazeres, com as suas dores. E escrevendo prossegue.

Mas, e aquilo que realmente ficou para trás? Os textos escritos na parece do apartamento alugado? O livro perdido? A roupa suja amassada e esquecida no canto do quarto?

Nesse post fazemos uma homenagem àquilo que ficou, que foi esquecido, às nossas sobras!

Ricardo Garcia ou Rodrigo

- Muito prazer, eu sou Rodrigo.

- Sou de Ribeirão Preto. Tô em São Paulo por causa de trabalho, e tô querendo fazer amigos por aqui.

- Como você chama?

- Nada em Ribeirão Preto me desperta interesse algum, que me faça querer conhecer alguém de lá.

- Nossa!... Posse te oferecer um vinho para quebrar essa animosidade?

- Tô de vodka.

David Katz ou Guilherme


- Tá querendo me embebedar e me comer?

- Tô.

- Que merda.

- Eu pago!

- Como assim, eu pago?

- Eu quero te comer e faço questão de pagar.

- Nossa! Assim vc tá me dando tesão.


"Daniel Siqueira de Pádua. 27 anos. Musico frustado.
Migrei para a literatura panfletando poemas do Bukowski nos banheiros femininos da universidade.
Sou leitor atento do blog
Proponho troca de estímulos com a autora.
Desligo. Câmbio."


"Camila, vc é uma mulher de colhões. Isso é o suficiente para que eu beba em sua homenagem.
Vc deve ter sofrido para descobrir que escrever é mais importante do que morrer."
Isso é o suficiente para eu guardar seu nome.
Um beijo, o meu melhor beijo".
Daniel.


"Daniel, sabemos o quanto é dificil o oficio de viver.
Desata esse nó e venha na minha festa. Não tema. Meus colhões são uma metafora que você criou,
apenas isso.
Vamos, coragem. Apareça".
Camila.

Munir Kanaan ou Marcio

"Márcio, é meu amigo desde os tempos de Brasília. Ele nunca deixou de ler um POST no meu blog nos últimos 300 anos”.

-”Então Márcio, escolhe, qual a tua fantasia? Fala! O que é que tu quer? Uma funkeira cachorrona, uma grupie californiana, uma gostosona do big brother? Fala Marcio, o que é que tu quer, fala!"

Juliano Cazarré ou Felipe

Os personagens masculinos permeiam o filme e provocam na Camila as reações mais diversas. O Felipe é o primeiro que invade a tela na abertura de “Nome Próprio”, e quando eu digo “invade” estou sendo literal, não há como não sentir a intensidade embutida nessa chegada dele. É que, embora a gente esteja sendo apresentado pro Felipe, a cena que rola é uma despedida...

“Dois pesos, duas medidas, né Felipe? Comeu a prima... a ex-namorada... comeu Brasília inteira... e eu na minha. Agora, vem você e esse seu silêncio, querendo transformar o que foi espontâneo em mim, em culpa... Porque não posso comer um cara qualquer de um bar qualquer, heim? Você fica assim, nem aí, como se eu estivesse fazendo merda sozinha... a louca sou eu né Felipe? E você? Qual sua parte nisso tudo?”

Fiquem ligados que agora a cada dois dias vamos apresentar algum personagem novo aqui no blog!

Gustavo Machado ou Daniel

"Eu não quero mais dormir sem você. Nunca mais. Eu pedi pra você não largar a minha mão e, mesmo dormindo, você não largou. Eu estou com medo. Você é perfeito pra mim. Muito. Todo. Da voz ao tamanho do pau. Agora eu não acho nada, não penso nada, não quero mais saber de nada. Eu me abandonei em você."

posted by Camila Lopes


o filme ainda se chamava" uma história real"


para relevar...


com 17 planos por dia....

























"Eu engoli uma pedra. Tem uma pedra dentro de mim. Tem uma pedra. Tudo é dentro."

Camila Lopes


Assim como a trajetória da personagem, esse filme foi solitário. Acho que juntando todas as diárias de todos os atores não deve ter dado 20 dias, no máximo. No restante dos dois meses e meio, foram só eu, a equipe, a câmera e poucos equipamentos, e o Murilo. Depois já não tinha mais ninguém, todo trabalho era imperceptível e em silêncio, para que eu pudesse ficar sozinha no meio das 15 pessoas que lotavam o apartamento de 2 quartos na Pompéia. Para que eu pudesse esquecer que estava nua, em trajes ou não, e esquecer que fazia frio, um puta frio no mês de maio de 2006 na cidade de São Paulo.


posted by Leandra Leal






Músicas de Camila