Um filme dirigido por Murilo Salles com Leandra Leal.
Baseado na obra de Clarah Averbuck.

Esses são dados importantes na vida de qualquer filme. Ninguém seria louco de negar a sua importância. No entanto, enganasse quem pensa que essa é a principal questão por traz do lançamento de "Nome Próprio".

A nossa luta NÃO é para atingir certo número de espectadores, não estamos em busca de cifras. Queremos algo que vai além delas, que está à margem dos números, algo que foge a qualquer tentativa de quantificação. Buscamos identidade, desejo de identificação.

Nosso filme é um "estranho no ninho", um filme que trata de questões polêmicas, como o transbordamento feminino e a construção de narrativas pessoais. Um filme que inquieta o espectador. Se postamos um pedido para as pessoas irem ao cinema no primeiro fim de semana, foi um movimento para vencer a inércia e o anonimato. É ingênuo demais achar que isso fosse levar o filme à condição de blockbuster! Foi um movimento para sair debaixo da sombra de gigantes e conquistar espaço. O espaço que acreditamos possível, de mostrar que existe gente inteligente e afim de encarar um filme de conteúdo parrudo. Um espaço que não vem de graça, que precisa ser conquistado a cada nova cidade, a cada novo dia, a cada novo espectador.

Esse espaço é da busca de uma singularidade – nosso desejo de nos dirigirmos a pessoas de carne e osso e não às massas; não somos uma massa de seres achatada, uma multidão de consumidores vorazes. Somos seres individuais buscando afirmação, buscando deixar nossas marcas no mundo. Por isso o filme aborda a internet e por isso a utilizamos para a divulgação. Queremos nos dirigir a essas pessoas, às pessoas que estão em busca de afirmar suas singularidades, de afirmar que não são meramente um número ou um “algo” nessa massa de gente globalizada. Somos seres humanos tentando vencer a inércia e construir nossas narrativas pessoais. Atrás dos nossos desejos, nossos crenças, de preencher o nosso vazio.

Construir uma narrativa existencial dá trabalho! Temos o tempo todo que fazer nossas escolhas cuidadosamente, privilegiar nossos pares existenciais. Temos que vencer a inércia do entretenimento e o vício do consumo. Temos que sair de casa procurando as manifestações que nos afetam, lutar contra a nossa preguiça – sim somos preguiçosos para ler um livro que vai dar mais trabalho, ir assistir um filme que vai nos colocar questões mais do que puramente nos entreter, ir até uma exposição de arte – se deslocar, pegar o metrô ou o busão, sair na chuva para conversar com um amigo, ou simplesmente sair para a rua, para a vida lá fora. Se não lutarmos e corremos atrás daquilo que nos toca, que nos emociona; essas manifestações que verdadeiramente nos importam vão acabar!

O nosso movimento aqui no BLOG é dizer isso para as pessoas especiais que nos freqüentam. O importante para nós é “chegar” em vocês, é criar esse movimento de ALERTA. Vamos nos manter vigilantes. Somos muitos e somos fortes porque somos especiais e únicos em nossas individualidades. O que queremos é que as cifras e os números de bilheteria do filme demonstrem que existe sim pessoas interessantes e interessadas em todo o Brasil, MAIS do que se pode imaginar. Pessoas interessadas em coisas que vão muito além do mero pão e circo.

Esse é o nosso MANIFESTO.

7 comentários:

Aline Kátia Melo disse...

Olá

Assisti o filme ontem, gostei muito de várias coisas, o barulho de teclado, a atuação da Leandra Leal,a variedade de locais e o mundo que foi mostrado em ambientes pequenos como um quarto quase vazio de uma apartamento... Concordo com o manifesto de vocês, achei o filme bem diferente para o padrão de filmes nacionais que temos, acho que todo mundo é um pouco Camila, segura e insegura, que se expõe, que vive, que ama,bebe, fuma, escreve...saí do cinema pensando em como continuaria a vida dela...
Obrigada pela oportunidade do novo, do diferente...

Refluxo disse...

Acho dificil alguem sair ileso do filme. Acabei de escrever sobre ele no meu blog.

emanuel disse...

to ferradamente apaixonado pela produção de vocês: do filme, do blog, demais.. demais! esse tipo de trabalho me deixa feliz demais, por ver que existe gente que faz a arte pelos motivos certos... porque precisa viver, se comunicar, se identificar.

Teh disse...

Assisti o filme domingo passado, mas sempre acompanhava tudo pelo blog, achei interessante demais o blog...
Sensacional a maneira que o filme retrata tudo, brilhante interpretação da Leandra, realmente não vejo outra atriz interpretando a Camila.
Gostaria que virasse um livro as escritas da Camila, dá vontade de ficar anotando tudo durante o filme.

Anônimo disse...

Vou ser bem sincero, afinal não sei se muitos irão concordar, mas assistindo a sessão que rolou sábado no Unibanco do Frei Caneca às 21:30 na sala 5, boa parte que esteve lá cerca de 30 pessoas, boa parte delas conhecidas, acharam a mesma coisa, muitos trocando idéias que acharam do filme, o que posso dizer: acharam muito boa a atuação de Leandra Leal, boa parte das locações boas, atores novos bem selecionados, sobre o texto sinceramente UMA DROGA! vazio, chato, horas cansativo, clichê, daqueles que pouquíssima gente se indentifica, sinceramente muitos esperavam mais, se essa é a tal literatura da escritora, ela realmente precisava rever seus conceitos!

Emanuel disse...

sobre o que o "anonimo" escreveu: é, ouvi alguns comentários assim também, que o texto era fraco, até vulgar e meio pobre. Bom, dos comentários que eu ouvi da Clarah, a autora dos livros, ela fez questão de dizer que o roteiro tinha ficado bem diferente dos seus textos e que a Camila do filme tinha perdido uma característica principal dos livros: o humor!

Eu não li os textos, então só tenho a Camila Jam das telinhas.

Anônimo disse...

adorei o filme!

Músicas de Camila