Um filme dirigido por Murilo Salles com Leandra Leal.
Baseado na obra de Clarah Averbuck.

Juliano Gomes

Nome Próprio só aparece na tela no fim do filme, sobre a imagem das Camilas. Parece que a partir daí tudo se acalma; resolve-se a crise. Como se o problema fosse que ela não coubesse em uma só.
Próprio "é o que pertence ao sujeito da oração", e também "adequado, conveniente, que serve a determinado fim, apropriado". Enfim, acho um nome bem feliz pro filme, mas me suscita a curiosidade de saber se é um nome conquistado ou dado, saber o que você acha disso. Não poderia ser um nome comum? Ou impróprio?

(Formado em cinema, jornalismo e publicidade na PUC-Rio, Juliano Gomes trabalhou como assistente de direção no longa Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo. Desde então, realiza documentários, ficções e institucionais. Organiza também, desde 2005, o cineclube CINEPUC. Atualmente, é mestrando da ECO-UFRJ e colaborador do DocBlog, organizado pelo crítico Carlos Alberto Mattos. Foi membro do Júri da Mostra Visões do 1º Festival de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro – RIOFAN).


MURILO

Juliano, acho que a sua pergunta refere-se mais a questão do nome, se é próprio, ou impróprio, ou comum. Acho que a melhor forma de responder a isso é falando um pouco da história do nome do filme; porque esse filme foi procurando o seu nome próprio.

Ele começou como “Máquina de Pinball”, igual ao livro. Já no primeiro tratamento do roteiro, que feito pela Helena Soares, o filme passou a se chamar “O Mundo Segundo Clarah Averbuck”. Do segundo tratamento em diante, ele virou “Pinball” e ficou “Pinball” durante um tempo enquanto íamos escrevendo. Eu gostava da imagem, não gostava da máquina de pinball, porque não acho que é essa a questão. O que era interessante ali para mim era a bola. Ela é uma coisa que vai daqui pra lá, bate, volta, bate nos pontos, se movimenta. Mas, também não queria que o filme se chamasse bola de pinball. Acabei abandonando essa idéia porque eu queria tornar o meu personagem em autor e não numa conseqüência de comando de um outro autor.

Quando chegou perto da filmagem, como eu estava brincando com essa questão do quê é narrado e o quê é vivido por Camila, pelas duas Camilas, eu transformei o filme em “Uma História Real”. Eu estava brincando com esse conceito, do quê que é verdade, o quê que você posta num blog e o quê você vive na vida real; de como a gente se ficcionaliza. Porque, no final das contas, é essa a questão.

O filmei foi todo feito com a claquete Um História Real; comecei a montar o filme ainda com esse nome. Então, quando a montagem foi chegando no final, além do fato de já ter alguns filmes com nome de Uma História Real, comecei a achar que o filme não é uma história real, aliás é tudo o que ele não é. Fiquei com isso na cabeça, achando que o filme tinha que ter outro nome. Procurei e cheguei ao nome “Impressão Digital”, mas achei que era um pouco literal demais; eu gostava e não gostava.

Até que um dia, fazendo uma sauna com a minha senhora, ela começou a falar que o filme tinha que ter um nome próprio, muito próprio. Quando ela voltou a frisar muito próprio, eu disse assim: “Caramba Deyse! Porque não “Nome Próprio?” E a Deyse adorou. Comentei com o Avellar, que gostava muito do “Impressão Digital”, e dois dias depois ele me manda um texto do Otávio Paes, falando sobre a questão do nome próprio, falando de uma forma tão pungente e pertinente com o filme que até hoje esse texto é a introdução ao filme no meu site. Logo depois disso, comentando com a Viviane Mosé, ela sacou um poema dela, que fala sobre no nome próprio. Era coincidência demais. Apesar de algumas pessoas acharem um pouco pedante esse nome, eu gostei muito. Acho muito próprio o filme se perguntar pelo seu próprio nome. Por tudo isso, acho que esse é um nome conquistado arduamente, um nome que se conquista.

Concordo com você quando diz que pode ser que Camila não se baste em uma, não se caiba em uma. Essa é uma das teses boas para o final do filme.

5 comentários:

Maria Clara disse...

acho o nome do filme tão perfeito... além do mais, sabendo agora dessa história. então, tudo faz sentido... muito bom.

Graone de Matoz disse...

Sempre fui um fascinado por filme nacional!!! espero um dia fazer parte desse time de feras de cineastas que dispõe o Brasil. Parabéns pelo blog!!!!

Graone de
Matoz -
escritor
romancista e
poeta

Kennedy Saldanaha disse...

Leandra Averbuck e Clarah Leal sinonimos de nossa natureza inquieta,pois são muitas as pessoas que nos habitam em busca de un nome proprio, de um nome que nos dê a dignidade necessaria do reconhecimento.

Valdeir Vieira disse...

Excelente!

http://www.valdeirvieira.com/granland-iguacu/

mustafa tan disse...

i see it it is nice film :)

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Músicas de Camila