Esse era o nome do filme até praticamente o final da montagem. Murilo Salles demorou mais de um ano trabalhando na edição. Uma edição que no início possuía mais de 4h30min. Através dos cortes, da supressão de cenas inteiras e até de personagens, o filme foi ganhado identidade, deixando de ser apenas UMA história para adquirir um nome, um NOME PRÓPRIO.
Esse não foi um processo fácil. Muito material bom foi deixado para trás. E quando o material é bom não tem jeito, sempre fica aquela maldita pulga atrás da orelha. Coçando, perturbando e nos fazendo pensar: será que fizemos a coisa certa?
O que vc não vai ver em Nome Próprio # 1 – O Homem Sem Nome!
Longa faz ensaio entre o virtual e o real
blogueira em crise no filme de Murilo Salles
Leandra Leal interpreta Camila, blogueira que tenta escrever um livro, em "Nome Próprio"José Geraldo Couto/ Colunista da Folha de S.Paulo.
Inspirado livremente em livros da escritora e blogueira Clarah Averbuck, “Nome Próprio” não é, como poderia parecer à primeira vista, um filme “sobre internet”, e menos ainda um “retrato da geração atual”.
O que é, então? Uma porção de coisas, mas sobre tudo um ensaio em torno do trânsito – ou hiato – entre o virtual e o real, entre a palavra e a carne.
Camila Lopes (Leandra Leal) mantém um blog em que expressa literalmente suas angústias, seus devaneios , suas reflexões. Sua subjetividade, em suma.
Mas Camila, antes de tudo, é uma mulher em crise permanente. Vive num equilíbrio frágil entre o afeto e a solidão, o hedonismo e a penúria material, a altivez agressiva e a carência mais abjeta. Vive aos tombos, e não é casual que role por uma escada numa cena vital.
Tudo na personagem é intenso, exagerado: o modo como exerce sua sexualidade, a aspereza no trato com os outros, a compulsão em escrever, o uso obsessivo de drogas (álcool, cigarro, comprimidos). Murilo Salles mostra essa personagem como um corpo lançado no mundo.
Já a primeira cena nos situa nesse estado de desamparo. Uma ágil câmera na mão (operada pelo próprio diretor) registra o violento despejo de Camila do apartamento do namorado, a quem, conforme saberemos depois, ela traiu com um desconhecido.
O rapaz arranca roupas do armário, soca-as numa mala, junta em caixas computador, CDs, bijuterias e objetos vários, arrasta tudo aos chutes até a porta da saída. Em meio a essa ação frenética, vemos Camila encolhida num canto, em lágrimas, nua.
Mas, a protagonista não cabe no papel de vítima, e logo vemos sua reação igualmente violenta à brutalidade. Tapas, ofensas, palavrões, uma coisa horrível de se ver.
Relação com a água
Murilo Salles “cola” em sua personagem, assume integralmente o seu ponto de vista, mas não apara suas arestas, não atenua o que ela tem de intratável e de desagradável. Em outras palavras, não facilita a identificação do público com ela.
Um modo possível de se aproximar da personagem é atentar para seus banhos, que revelam as oscilações de seu estado material e psíquico. Lavando-se na pia do banheiro de uma lan house, sentada bêbada e vestida sob a ducha do apartamento, ensaboando-se no box com o novo namorado, quase se afogando no mar à noite, Camila se expõe inteira em sua relação com a água.
Pode-se não gostar de “Nome Próprio”, mas duas afirmações se impõem: Murilo Salles (trabalhando aqui com o digital) filma bem como poucos e Leandra Leal tem uma atuação literalmente assombrosa.
"Nome Próprio"
Produção: Brasil, 2007
Direção: Murilo Salles
Com: Leandra Leal, Juliano Cazarré
Onde: em cartaz no Espaço Unibanco Augusta e Frei Caneca Arteplex
Classificação indicativa: Não recomendada para menores de 18 anos
Avaliação: Bom
"Uma casa maldita". "Aquele maldito menino". "Esse maldito trabalho". Ninguém diria que essas frases têm como objetivo falar bem dos respectivos casa, menino ou trabalho, certo? A palavra "maldito", por si só, carrega um inegável peso de coisa ruim, que se quer evitar. Certo?
Não no mundo artístico de hoje. Se o leitor se depara com as expressões "poeta maldito" ou "artista maldito" entende logo que se trata de um poeta e um artista que merecem atenção, poeta e artista de qualidade, mas incompreendidos pela "mídia", um poeta e um artista sem medo de chocar - e olha a polêmica aí de novo.
E aí virou moda ser maldito. Jovens autores cortam os pulsos na capa dos livros, beldades literárias descrevem suas noites de degradação moral no mundo milionário de Paris, cantoras expõe ao mundo sua sucessão de bebedeiras e semi-overdoses, e o mundo aplaude, e louva, e compra livros e discos.
Mas por que não é considerado maldito o autor daquele livro genial que editora nenhuma publica, e que trabalha de 9h às 18h pra pagar suas contas em dia, leva os filhos na escola de manhã e dorme cedo? Ele também não é visto pela mídia, mas ah, não tem glamour nenhum.
E parece que o valor das obras está na vida tresloucada de quem as compõe, e não na obra em si. E a gente quase se espanta quando descobre que a dona da voz que nos encanta faz comida no almoço e lava a louça no final, e que sua geladeira tem mais legumes que vodca. Que vida normal, que tédio...
Ser maldito não devia ser valor nenhum, apenas uma constatação de um estilo de vida. Estilo de vida aliás que, pra dizer a verdade, pode ser insuportável pra quem está por perto e, principalmente, pra quem vive.
Agora que vocês já viram o filme, escrevam para a gente a história de vocês!
Toda mulher, ou quase toda, já teve um “Momento Camila”: um daqueles momentos em que o bom-senso desaparece, em que a educação vai pras cucuias, em que se faz simplesmente o que dá vontade, um daqueles momentos dos quais a gente não se orgulha, mas nunca mais esquece. Momentos também de coragens inesperadas, de superação, de olhar a vida de frente e sem medo, de bancar o que vier. Momento de transbordamento; vital e necessário para que a vida continue.
Portanto, deixem a vergonha de lado e tirem as cartas do armário, as histórias da memória, os sentimentos da entranha. Vamos inventar a nós mesmos que faz bem.
Poste aqui seu MOMENTO CAMILA!
Para encorajar as mais tímidas, Camila dá o exemplo:
Caras de Camila #1
Caras de Camila #2
Caras de Camila #3
Marco Cherfêm, sob a orientação de Pedro Paulo de Souza, diretor de arte do filme, fez uma série de templates maravilhosos especialmente para o computador da Camila.
Estamos agora disponibilizando para vocês verem, baixarem e se lembrarem dessas imagens, que eram as únicas coisas que Camila via nos seus longos e áridos momentos de solidão.
Para baixar as imagens basta clicar com o 2º botão do mouse sobre elas e escolher "Salvar Imagem Como" (Save As).

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No site Críticos:
Por Carlos Alberto Mattos
É particular e apreciável a maneira como Murilo Salles, o diretor, tem se inserido no discurso geral do cinema brasileiro desde os anos 1980. Quando começávamos a refletir sobre a ditadura militar como parte do nosso passado, ele retratou a solidão e o vazio de uma nova geração vivendo certa orfandade. Era Nunca Fomos Tão Felizes, um primeiro filme que a gente nunca esquece. No momento em que o governo Collor fodia com a vida brasileira, ele e Sandra Werneck traduziram a situação no curta-protesto Pornografia. Mais adiante, quando apenas se insinuava a onda de violência urbana que assola o cinema brasileiro recente, ele deslocou o ângulo para o imaginário de crianças da favela durante uma ação desastrada. Era Como Nascem os Anjos, um clássico do gênero.
Mesmo no aparentemente menos ambicioso – e muito incompreendido – Seja o que Deus Quiser, Murilo não deixou de surpreender com uma inversão de estereótipos que dizia muito sobre equívocos e obsessões do Brasil atual. A juventude continuava a ser o seu plantel predileto de personagens. E nada mais é que um porre de juventude a sua obra-prima que chega agora às telas. Nome Próprio é talvez o filme mais contemporâneo que o cinema brasileiro poderia produzir neste momento.
Estamos a muitas milhas de distância tanto dos chavões da violência quanto dos xavecos das historinhas bem-comportadas, que têm garantido ao filme brasileiro alguns favores do público. Nome Próprio disputa platéias com os bons filmes europeus e asiáticos da praça, ou com os melhores quitutes provenientes dos EUA. Isso porque , como poucos outros, troca a cor local pelos tons de um “país” interior, mais recôndito e insondável. Sua ação se passa dentro de uma cabeça, e não é de uma cabeça qualquer.
Camila Lopes, filtrada da autobiografia ficcional de Clarah Averbuck, é uma criação arrebatadora de Murilo Salles e Leandra Leal. Uma menina com a alma nas pontas dos dedos e o destino a curto prazo condicionado pelo tempo da conexão discada (estamos em 2001). Algo predadora, dada a barracos, criança e tigresa alternadamente, Camila tenta destilar sua solidão nos encontros de bar, nos copos de vodca e na devora de cigarros, na fantasia de um príncipe online, no corpo-a-corpo com as palavras que espalha pela rede sem esperar retorno nem compensação. Tudo é mar onde ela quer se dissolver. Tudo é vício, paixão e poesia.
Ela é a síntese de uma sensibilidade nova, que o cinema brasileiro ainda não tinha conseguido (na verdade, nem procurado) representar. E o desafio brilhantemente vencido por Murilo Salles foi o de tornar palpável diante de nós os sinais dessa sensibilidade. Sua câmera flutua sobre os corpos, acaricia-os ou espreita-os como um olho livre, sem peso. Mas o que esse olho desmaterializado vê é de uma visceralidade transbordante. As unhas raspadas de Camila; sua relação corporal com o set, os objetos e os demais personagens; a exteriorização das frases como textos sobre a tela – tudo isso remete a um movimento no sentido de transformar o sentimento em matéria exposta. Todas as dicotomias que dilaceram e ao mesmo tempo produzem essa Camila que nos é dado conhecer – angústia e hilaridade, decepção e dissipação, virtualidade e fisicalidade – ganham expressão poderosa nesse objeto fílmico singular.
Ao final, depois de desnudar-se em tantos sentidos quantos possamos imaginar, Camila se reparte em duas para, quem sabe, se apaziguar. A quebra da identidade é a suprema realização de um desejo de dar-se ao mundo e ao mesmo tempo manter-se coladinha a si mesma. Desconfio que Nome Próprio é sobre essa inquietação tão comum em tempos de desmaterialização, interação desenfreada e, contraditoriamente, isolamento cada vez maior.
Dizem que Camila é explosiva, apaixonada, louca. Uma mulher. Uma mulher complexa. Nessa semana vamos colocá-la contra a parede! Analisar cada ato, cada pulsão, entrar ainda mais em seu mundo tão peculiar.
Não foi assim exatamente uma surra, talvez esteja mais próximo de um chega para lá. Mas, um chega para lá de RESPEITO! No Rio, no Arteplex Unibanco, único cinema que dividimos salas com o morcegão, tivemos mais espectadores nas duas principais sessões: das 19 e das 21h. Se não chegamos ainda a incomodar o nosso primo rico, já podemos dizer que somos uma pedrinha na sua bota super equipada!
Em briga de Davi e Golias uma pedrinha já é uma vitória!
Cadê vocês? Onde vocês foram? Não foi quase ninguém nas sessões de ontem!
Internautas de todo o Brasil, contatem as pessoas bacanas que vocês conheçam em Natal e Fortaleza! Nos ajudem a divulgar o filme!
Trechos das resenhas mais interessantes que já saíram sobre "Nome Próprio":
"Numa trama em que o computador, mais do que utilitário, é personagem, Nome Próprio (futuro concorrente no Festival de Gramado) ganha visceral atuação de Leandra Leal. Aloprada e sem pudores, ela tira do lugar-comum a escritora que imprime sua literatura até nas paredes." (Ricardo Daehn, Correio Braziliense)
"Murilo Salles (trabalhando aqui com o digital) filma bem como poucos e Leandra Leal tem uma atuação literalmente assombrosa." (José Geraldo Couto, Folha de S. Paulo)
Leandra Leal e Clarah Averbuck discotecam neste sábado, 19/07, no Clube Glória em São Paulo, dentro da festa Popscene + Gente Bonita.
Conseguimos uma parceria super legal para quem for assistir ao filme amanhã ou sábado! Quem apresentar o canhoto do ingresso entra na festa pagando R$ 15,00 sem precisar colocar o nome na lista. Em São Paulo o filme está passando no Unibanco Arteplex do Shopping Frei Caneca ou no Espaço Unibanco da Rua Augusta.
Para quem quiser dançar com as músicas escolhidas por Leandra e Clarah eis mais informações sobre a festa:
POPSCENE! + GENTE BONITA @ Clube Glória (SP)
Data: 19 de julho de 2008, sábado
DJs residentes: Popscene DJs (Flávia Durante e Hector Lima) e Gente Bonita (Alexandre Matias e Luciano Kalatalo)
DJs convidados: Bezzi (Discoteca Kamikaze), Clarah Averbuck e Leandra Leal (lançando o filme "Nome Próprio")
Endereço: Rua 13 de Maio, 830 - Bela Vista - (11) 3287-3700
Horário: A partir de 23h59
Aceitam todos os cartões. Possui guarda-volumes
Ingressos: R$ 35,00 (porta), R$ 25,00 (lista site Glória), R$ 15,00 (lista amiga até 17hs de sábado p/ www.gentebonita.org ou popscene@gmail.com)
Possui serviço de valet: R$ 12,00
Capacidade: 500 pessoas
Censura: 18 anos
Quem apresentar o canhoto do ingresso do filme hoje no Studio SP paga R$ 15,00 no ingresso sem precisar colocar o nome na lista (o normal é R$ 25,00). Hoje rola show do Ludov e discotecagem da Miss Má, que amou o filme! O Studio SP fica na Rua Augusta, 591.
Até Leandra Leal virou panfleteira por um dia para divulgar o filme! A emocionada carta de Murilo Salles tem sido publicada em sites, blogs, comunidades no Orkut e até no jornal O Globo de hoje. Não é brincadeira o amor que o elenco, a equipe e os admiradores têm por "Nome Próprio". ;-)
Mobilize-se você também! Cadastre-se na nova rede social dedicada ao cinema, MovieMobz, e assinale "Nome Próprio" na lista de filmes que você gostaria de ver.
Update: Comentário interesantíssimo que Caesar publicou em nosso blog.
"O que me trouxe aqui não foi Leandra Leal nua, mas Leandra Leal metida numa camisa do Flamengo filipetando. Sempre achei que os atores da minha geração e de Leandra incorriam no mesmo erro: Esqueciam que Fernanda só é Montenegro pq trabalha há mais de 50 anos. Então, sempre fui contra querer agir como "achamos q é ser Montenegro" quando ainda se tem tanto a fazer. Ver Leandra filipetando, por estratégia de marketing ou não, fez me sentir menos só. Aí, li a crítica do filme e descobri do q ele trata. Desde 1999 venho escrevendo para teatro no Rio com o olhar na Internet, no paradoxo de estarmos com todo mundo e ainda assim, sós. E mais uma vez me senti menos só. Agora voltarei aqui pelo filme que assistirei neste fim de semana. Vida longa!"
É por aí mesmo, Caesar! É isso que faz de Leandra uma Atriz com A maiúsculo e não uma celebridade vazia. Ela acredita no que faz. Obrigada pelo seu comentário pertinente!
Hoje até a grande comunidade Cinema Brasileiro está vestida de "Nome Próprio". É muito gratificante ver o público vestindo a nossa camisa!
Para quem já assistiu ao filme ou quer debater a respeito participe da comunidade "Nome Próprio" no Orkut e adicione nosso perfil.




