Um filme dirigido por Murilo Salles com Leandra Leal.
Baseado na obra de Clarah Averbuck.

Nada me resta

senão me perder em você,

senão morrer um pouco,

senão gozar sem saber

do que se goza.

Sta. Tereza D'Ávila, "atualizada" por Murilo Salles

Em meio a balas, chicletes, paçoquinhas e outros quitutes, Nome Próprio.

Fizemos um teaser do filme específico para os ônibus e o metrô de São Paulo. E como o nosso blog também é um meio de transporte, de idéias, desejos, curiosidades, performances ...

Resolvemos postar também aqui esse vídeo para divertir a navegação de vocês.


ULTIMOS DIAS para vc incorporar o cineasta e mandar a sua versão do trailer para o nosso concurso! Não perca tempo, o prazo para as inscrições acabam nesse domingo, dia 06/12.

Agora, além de imagens, você pode baixar também algumas músicas da trilha, ou pode montar a sua própria trilha. Qualquer coisa que faça o seu trailer ser o mais divertido, o mais instigante, o mais provocativo, que é o que faz as pessoas terem curiosidade em assistir ao filme!

Aliás, o trailer oficial do filme já entrou em cartaz na sua cidade. Alguém já viu? Onde? Quando? Contem pra gente!

Para participar é assim:

Você baixa as imagens em http://sharebee.com/a15a5614 e as músicas em http://sharebee.com/c625598a, monta sua versão em qualquer software de edição e manda o link do vídeo pelo MySpace TV com os seus dados completos (nome, cidade, contatos, blog) até dia 6 de julho para o e-mail nomeproprio.filme@gmail.com

Os trailers mais legais vão ser linkados no MySpace oficial do filme. Um júri formado pela equipe de produção de “Nome Próprio” vai escolher o melhor, que vai fazer parte dos extras do DVD do filme, entrar com destaque na home do MySpace Brasil e mais uma surpresa que breve será revelada! O resultado sai no dia 12 de julho.

Se liguem que o tempo final do trailer é de 2 minutos, e o objetivo é chamar o máximo da atenção de quem está sentado na sala do cinema, comendo sua pipoquinha, antes do início da sessão!

Passo a Passo

1) Baixe as imagens em http://sharebee.com/a15a5614
2) Baixe as músicas em http://sharebee.com/c625598a
3) Monte um trailer de até 2 minutos em seu software preferido
4) Publique o vídeo em http://vids.myspace.com
5) Mande o link e seus dados completos para nomeproprio.filme@gmail.com até o 6 dia de julho
6) O resultado sai no dia 12 de julho

PS: O concurso é livre, quem quiser usar outra trilha pode. A que colocamos é para auxiliar, somente uma opção. Não será critério de avaliação usar ou não as músicas do filme.

"há atitudes que só uma mulher pode tomar."

(José Saramago em "Jangada de pedra")

As palavras vão se formando, as pessoas vão se aproximando e Camila ganha corpo. Corpo com células de letras.

Cinema para se ver, ouvir e ler!

A cada nova discussão nos blogs, Nome Próprio ganha vida. Uma vida que para ser vivida tem que estar sempre sendo revista, comentada, hospedada dentro de cada pessoa que o assiste. E ontem ele ganhou mais uma. Uma ilustre hospedeira, Milu Leite.

Ela escreveu uma ótima critica sobre o filme no blog overmundo, botando o filme na roda, obrigando-o a se movimentar. Copiamos aqui o texto para que vocês também possam se juntar à dança.


A blogosfera chega às telas

Camila (Leandra Leal), protagonista do novo filme de Murilo Salles, é blogueira. Inspirado em Máquina de Pinball e Vida de gato, dois livros de Clarah Averbuck (blogueira: http://adioslounge.blogspot.com/) , "nome próprio" tem tudo para agitar a blogosfera. É intenso, indefinível e despudorado como todo blog que se preze.

Leandra Leal, atriz que já nos surpreendeu muito bem em outros papéis (a menina de "A ostra e o vento" é inesquecível), dá carne, sangue quente e sentimento à sua personagem de modo quase assustador.

Feita justiça à sua interpretação, me reservo o direito de partir para os elogios ao diretor. Fazer um filme de palavras, quero dizer, transformar palavras em imagens de mesmo peso já não é tarefa fácil para os diretores que se aventuram nas adaptações literárias cujos textos são a grande força da obra, não a história. Murilo enfrentou o desafio de filmar palavras, porque Camila (tanto quanto a grande maioria dos blogueiros) é o que escreve. Não é possível dissociar texto de pessoa. Aliás, não seria esse o motivo de tanta gente falar de si nesses diários pessoais e serem lidas e questionadas, comentadas?

Então, vemos palavras na tela. Muitas. E ouvimos o tec tec tec do teclado, seguimos a setinha do mouse... e Camila vai se desnudando até nos causar dó, ou ódio, ou um nó na boca do estômago. Ela é só sentimento, mundanidade e... palavras. Penso agora que um dos maiores méritos do filme é não adocicar essa personagem tão controversa, desagradável aos olhos de alguns, irresistível aos meus.

Sem meias-palavras, é preciso dizer: Camila é terrível! Mas a sua disponibilidade para o mundo, a sua entrega descabelada aos apelos do amor e do corpo me fazem vê-la com os olhos da paixão.
E é esta paixaõ que sustenta a opção feita por Murilo Salles.
Honesto, entregue, revirado nas emoções. Ele captou tudo e nos deu um presente.
Espero que as pessoas o recebam.

Milu Leite

“Pergunte ao pó” é um clássico da literatura contemporânea. Um clássico do tipo que nenhum professor vai te pedir pra ler, um clássico como os discos do Black Sabath ou um episódio de Caverna do Dragão, o mais distante possível do classicismo. Ou seja: um clássico dos bons.

O livro conta as aventura de Arturo Bandini (alter ego de John Fante nesse e em outros três livros). Criador e criatura são jovens americanos de origem italiana, com famílias católicas e caretas, buscando se tornar escritores na Los Angeles dos anos 20. Na verdade o personagem surgiu pela primeira vez no livro “Espere a primavera, Bandini”, lançado em 1938. Mas o romance que se tornou um clássico, e que fez de Bandini um ícone, foi mesmo “Pergunte ao Pó”, publicado no ano seguinte. Foi ele que chamou a atenção de um vagabundo também aspirante a escritor, numa biblioteca pública de L.A., e o impacto da leitura influenciou sua escrita pra sempre.

Pra sorte do Fante, esse cara acabou conseguindo mesmo se tornar um escritor, e da melhor estirpe dos malditos. O cara era Charles Bukowski, e ele retribuiu a inspiração à altura. Nos anos 80, quando a maior parte da obra do Fante já estava esgotada, Bukowski influenciou uma editora a republicar os livros, e escreveu um prefácio pra “Pergunte ao pó” no qual diz que Fante era seu deus, e que em brigas com sua mulher, na época da leitura, gritava pra ela “não me chame de filho-da-puta, eu sou Arturo Bandini!”. Começava ali um boom mundial de Fante e seu Bandini que segue até hoje.

De lá pra cá muita gente quis ser Bandini, e se sentiu Bandini. Os artistas, os fudidos, os gênios incompreendidos. O mais irônico é que, a essa altura, sem conseguir viver da sua literatura, Fante escrevia roteiros bobos pra Hollywood pra pagar as contas. Era o mais maldito dos malditos aumentando as vendas do seu ídolo vendido ao sistema...

Epílogo (Charles Bukowski)

Fante foi pra Hollywood,

Fante no campo de golfe,

Fante nas mesas de apostas,

Fante numa casa em Malibu,

Fante amigo de Wiiliam Saroyan.

Mas Fante, eu lembro de você melhor,

nos anos 30 morando naquele hotel perto do Angel´s Flight,

se esforçando pra ser um escritor,

mandando histórias e cartas pro Mencken.

O grito vinha dos colhões naquela época.

Eu ouvi.

Eu ainda ouço.

E eu me recuso a imaginar você

num campo de golfe ou em Hollywood.

Mas agora não importa.

Você está morto

mas a boa escrita continua

e o jeito como você me ajudou a escrever como eu queria.

Eu estou feliz de finalmente ter te conhecido

apesar de você estar morrendo

e me lembro de ter te perguntado

“escuta, John, o que afinal aconteceu

com aquele menina mexicana no Pergunte ao Pó?

E você respodeu “ela se revelou uma porra de uma lésbica!”

E aí a enfermeira veio com a sua grande pílula branca.

Eu ainda estou escrevendo. Nos primeiros quatro meses desse ano eu escrevi 250 poemas. Eu ainda sinto a loucura correndo dentro de mim, mas ainda não consegui colocar a aplavra no papel do jeito que eu quero, o tigre ainda está nas minhas costas. Eu vou morrer com esse filho da puta nas minhas costas, mas eu dei trabalho pra ele. E se em alguém aí fora que se sente louco o suficiente pra querer se tornar um escritor, eu diria vai em frente, cospe no olho do sol, bate nessas teclas, é a melhor loucura que há, os séculos precisam de ajuda, as espécies gritam por luz e apostam e riem. Mostra pra eles. Há palavras suficientes pra todos nós.

(Charles Bukowski)

Textos num blog que geram textos em outros blogs que sáo copiados pra outros blogs que são comentados em outro blog, na grade teia literal que é a web. Tá rolando aqui direto: os comentários estão cada vez mais animados, quem deixa comentários nos leva pra outros blogs, e assim por diante. Já rolou até poema nos comentários!

Mas a gente quer mais. A gente quer fazer daqui um espaço de repercussão de idéias, não só sobre o filme mas sobre esse universo todo que tem a ver com ele. A escrita. A urgência. A mulher e seus desejos. Quem achar que tá nessa onda, manda seus links pra gente publicar. E como a internet é feita de bem intencionados "roubos", fiquem ligados porque estamos à caça por aí!

O texto aí embaixo foi "roubado" do blog Mona Lisa Station, da Violet Scott. Ela andou por aqui, deixando recados, e a gente acabou descobrindo lá um post que cabe perfeitamente no nosso clima. Ou alguém acha difícil imaginar Camila com essas botas vermelhas?

***

"Amor, sexo, vício e prazer. Está tudo em volta desse quadrado perigoso.

Praticamente um fenômeno. Aquela meia arrastão eu comprei em uma vendinha popular por um preço ridículo. Me senti gostosa nela. Aquele vestido é simples demais, sem graça que dói. Então tive de comprá-lo e costurar em cima para que ficasse digno de uma (uhum), de mim, naquela ocasião. As botas vermelhas vieram da Europa, mas não são Dior e nem nada do gênero. São de algum brechó em Paris.

Subi naquele palco com tanta vontade que achei que fosse ficar rouca. Tanta vontade. O que eu mais queria era ver você me olhando, morrendo de tesão e sem poder fazer nada. Pelo menos, não naquela hora. Ou melhor, hora nenhuma. Você viria me encontrar no backstage e eu não estaria disponível pra você. Hoje não.

Eu adoro, enlouqueço, quando todos os acordes se calam e a minha voz praticamente some. Adoro isso nos outros primeiro, depois em mim. Eu fiz questão de abaixar, como se ajoelhasse para deitar no palco, para olhar bem pra você e ter a certeza que você não sabia onde enfiar as mãos. Aquela calça nunca ficou tão apertada. Seus braços me pareciam trêmulos, nervosos e sem lugar. Por que você não tentou me alcançar no palco? Qualquer relada no meu corpo te faria bem.

Aquela exposição toda me deixou em transe. Don't you wanna be licked?

Saí completamente molhada, prazer puro sem qualquer exaustão. Deixei o ambiente que era ensurdecedor e libidinoso. Adio."

(Violet Scott)

Que caminhos levam à telona?

Como ainda não foi criada uma estrada de tijolos amarelos que levam um ator ao estrelato, cada ator tem que construir a sua, pedrinha por pedrinha.

Aqui estão as pedrinhas de Ricardo Garcia, que interpreta o nosso querido Homem de Ribeirão Preto:

"Filho de diretor, eu detestava teatro. Até o dia em que tive que quebrar um galho pro papai substituindo um ator numa peça que ele dirigia. Isso me rendeu prêmio de melhor ator no Mapa Cultural do estado de São Paulo, vi que não era tão ruim assim, então fui para EAD aprender. De-lá pra cá, peças como "A Escolha do Jogador", direção de Hélio Cicero, "Clarão nas Estrelas" de Wladimir Capela, curtas metragens e até personagens como "Zorro" e "Robin Wood" em eventos para empresas. Mas Cinema, ah Cinema!!! Eu quero fazer muuuiiiiiitooooo."

No ar: 2ª, 4ª e 6ª às 21h.



Uma das coisas mais marcantes na decoração do apê de Camila é a imagem de uma mulher nua, na parede da sala. Quem já viu o filme deve ter ficado intrigado pra saber de onde veio aquilo: é um adesivo? É um desenho? Uma foto?

Pois saibam que é um lambe-lambe, desses que toda hora a gente vê na rua, mas concebido e realizado pela artista Alessandra Cestac, que é também a modelo da foto. O trabalho dela sempre tem seu próprio corpo como base, dialogando com a cidade de São Paulo em várias versões: ao vivo, na série "Nua na rua", que conta com a participação de diversos fotógrafos e artistas gráficos; ou impressa em papel na série "Lambe-lambe", em que as fotos são coladas em muros, postes e viadutos. O lambe-lambe que está no filme é da série "Anjos caídos", sobre a qual o poeta Xico Sá diz ser "a metamorfose da mulher nua (na rua!), signo-mor dos atrevimentos visuais anteriores da artista, em símbolo angelical, lúdico."

E Alessandra criou mais um jeito de expor sua arte: ao vivo, na web. A partir de agora, vamos ter performances exclusivas de Alessandra Cestac aqui no nosso blog. Uma janela vai estar aberta quando ela estiver em ação, ou seja, 2ª, 4ª e 6ª às 21H. Marquem na agenda, desliquem a novela e fiquem ligados pra não perder que a moça é craque!

E para ver o que já rolou por essa janelinha:

http://www.ustream.tv/channel/alessandra-cestac

http://www.ustream.tv/channel/performance---ale-cestac


Link para o site da Alessandra.

Link para texto sobre seu trabalho.

"Saudade é uma coisa tão abstrata que te faz crer que o que te faz falta é
uma coisa que você tem e que te sustenta enquanto seu lobo não vem. Porque
mais cedo ou mais tarde ele vem te perguntar porque uma boca tão grande.
Isso se Deus e ele quiserem. Porque tem uma hora que a gente apela. E aí
seja o que ele quiser."
Fernanda D´Umbra

"EU NÃO QUERO QUE VOCÊ SEJA FELIZ COMIGO.
EU QUERO QUE VOCÊ SEJA MELHOR COMIGO."


Mulheres modernas e independentes são românticas de outro jeito. Não
costumam sonhar com igreja e vestido branco, mas não dispensam o homem
incrível que vem no pacote daquele sonho. Na verdade não é bem aquele
homem, o gentil cavalheiro com um bom emprego. O príncipe-muso é o cara
que saque que elas não são só doidavanas despenteadas nem só donas de casa
prendadas: um tanto de veneno, um tanto de açúcar. Elas querem ser
desejadas assim porque desejam o mesmo dos donos dos paus que vão dividir
as suas camas. Daí que ler a declaração de amor do Fernando Maatz no seu
meudoceumbigosujo é de matar de inveja...

eu não quero que você seja feliz comigo

"Nome Próprio" é um dos longas nacionais selecionados para o 36º Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 10 a 16 de agosto de 2008. A equipe do filme está muito feliz e agradece a indicação!

Para vocês que perderam a performance da Alessandra Cestac ontem aqui no blog porque estavam vendo a novela das oito, aqui vai uma segunda chance!

http://www.ustream.tv/channel/alessandra-cestac



Aproveitem e não percam a de hoje, pois a cada dia ela está melhor!

De 2ª a 6ª às 21h! Mais pontual que a sua novela!

É só clicar no botão Alessandra Cestac e aproveitar.

Luciana Batista, nossa querida assistente de Direção, nos mandou esse lindo post sobre a sua experiência no set. Divirtam-se!

Falar em Camila não é fácil... é muito apaixonante fazer cinema, mais apaixonante ainda é fazer o cinema que a gente se identifica, que fala com o nosso universo... lembro que na primeira conversa com o Murilo, Cariri e Marcela, já entrando um pouco no universo de Camila, saquei que a balada ia ser rock n’ roll... pela energia do roteiro, pela energia da equipe, e pensei “fudeu, vai ser difícil sair emocionalmente ilesa dessa brincadeira”... não deu outra: quando vi uma parte dos meus livros, colares, bottons e sei lá eu mais o quê misturados com o universo de Camila, no figurino e no cenário dela, ficou um pouco difícil também discernir a Luciana pessoa física da Luciana Assistente de Direção... o que foi uma maluquice deliciosa,... sentir uma energia de cinema que talvez só tenha existido nos meus sonhos em participar dos filmes marginais dos anos 70, onde tudo era meio misturado, meio sonho e meio vida real,... equipe pequena, filme pequeno, e sensações grandes... De Camila levo a reafirmação do quanto é bom encher a cara de vodka e ultrapassar o limite, sempre na tentativa insana de engolir o mundo... e do filme, seguindo a tradição das frases na Ordem do Dia, fica apenas uma boa frase: “Há eventos de natureza tão delicada que fariam bem em soterrá-los e torná-los irreconhecíveis através de uma grosseria” (Friedrich Nietzche)
Lu Baptista.


Aproveitando a confusão confessa entre as Lucianas, do set e fora dele, introduzimos mais uma, a Lucina Baptista na cena, atriz!

Músicas de Camila