Um texto que o Murilo Salles escreveu sobre as questões e influências do filme, inspirou Luciana Baptista, 1ª assistente de direção do filme, a pesquisar, escolher e colocar diáriamente, durante as filmagens, nas ordens do dia (planejamento do dia seguinte de filmagem) uma 'frase' pra inspirar a equipe para a jornada daquele dia de filmagem. Era um ritual ler a frase antes de filmar.
A partir de agora a gente vai postar alguns textos escolhdos pela Luciana Baptista e outros que tenham a ver com o universo do filme, que pudessem estar na boca da Camila ou apontados em seu caderno de anotações, sublinhado em seus livros queridos, ou ainda citados por ela na mesa do bar, ou sussurrados no meio da noite pelos homens que ela encontra pelo caminho.
Pra começar:
"Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, lhe pediria que fosse embora, mas tenho uma mulher atravessada
na garganta." Eduardo Galeano
"Márcio, é meu amigo desde os tempos de Brasília. Ele nunca deixou de ler um POST no meu blog nos últimos 300 anos”.
-”Então Márcio, escolhe, qual a tua fantasia? Fala! O que é que tu quer? Uma funkeira cachorrona, uma grupie californiana, uma gostosona do big brother? Fala Marcio, o que é que tu quer, fala!"
A gente já falou um pouco sobre as referências literárias de “Nome
Próprio”, os caminhos da construção da história através dos tratamentos de
roteiro, e agora chegou a hora de entrar na construção visual do filme.
Afinal de contas, um filme não é feito só de palavras, mas principalmente
de imagens. Nosso diretor de arte, Pedro Paulo de Souza que concebeu a cara de “Nome Próprio”, montou um teaser com fotos e imagens usadas nas referências desse processo, e editou com uma trilha sonora inusitada o Luar do Sertão, cantada pela Marlene Dietriche.
Acompanhe mais facilmente as redes sociais e ferramentas onde "Nome Próprio" está através do link MeAdiciona.com.
E finalmente temos um canal no YouTube. Agora você tem a opção "assistir em alta qualidade", embaixo do player.
Os personagens masculinos permeiam o filme e provocam na Camila as reações mais diversas. O Felipe é o primeiro que invade a tela na abertura de “Nome Próprio”, e quando eu digo “invade” estou sendo literal, não há como não sentir a intensidade embutida nessa chegada dele. É que, embora a gente esteja sendo apresentado pro Felipe, a cena que rola é uma despedida...
“Dois pesos, duas medidas, né Felipe? Comeu a prima... a ex-namorada... comeu Brasília inteira... e eu na minha. Agora, vem você e esse seu silêncio, querendo transformar o que foi espontâneo em mim, em culpa... Porque não posso comer um cara qualquer de um bar qualquer, heim? Você fica assim, nem aí, como se eu estivesse fazendo merda sozinha... a louca sou eu né Felipe? E você? Qual sua parte nisso tudo?”
Fiquem ligados que agora a cada dois dias vamos apresentar algum personagem novo aqui no blog!
Fechando a série “As caras de Camila”, mais uma faceta da nossa
personagem. Aqui se revela o seu humor muito particular, a sua ironia
ácida, as situações que fazem ela rir sozinha, as que fazem a gente rir
dela, e aquelas em que rimos todos, personagem e espectadores, separados
só pelo escuro da sala de cinema. Ou nesse caso, a luz da tela do
computador.
Não dá pra ninguém dizer que não reparou: estamos de cara nova, na onda do cartaz. Menos "pretinho básico" e mais iluminados, cheios de palavras espalhadas na tela, como o filme!
Esse Nome também não é meu.
O texto 'Um Nome que não é meu' da Clarah Averbuck sobre "Nome Próprio" abre com a afirmação: esse filme não é meu. Sim, claro, não é dela. Nem muito menos sobre ela. Por isso tenho notado algum desapontamento nos comments do Blog, dos que vão assistir o filme à procura de Clarah Averbuck. O filme, está escrito na tela, é uma livre adaptação.
Essa história de o que é meu, seu, nosso, vosso e deles serve apenas para a concordância verbal. A relação literatura /cinema sempre existiu. Esse é o terceiro filme que adapto para cinema. Antes de Clarah foram João Gilberto Noll e Fernando Sabino. Sempre é isso, uma violação de intimidade, uma penetração. Relações são construídas assim. Entrar na intimidade é violento, lindo e pode render frutos maravilhosos. E, tudo bem, porque ao final a obra literária estará sempre lá, íntegra e intacta. O quê temer?
Na história dessa relação existem bons exemplos de adaptações fiéis como Vidas Secas, onde filme e livro estabelecem uma tabelinha Pelé/Coutinho; e outra, igualmente feliz, mas muito infiel, a de Hora da Estrela, onde nossa escritora maior foi absolutamente traída por Suzana Amaral, que simplesmente limou de sua narrativa a protagonista da história e fez um belo filme. Cinema e literatura, sabemos, cada qual tem sua especificidade, seu tempo, sua estrutura narrativa.
Ainda por cima, hoje, tudo é um grande texto e o que interessa é o sentido que damos às nossas re-escrituras, como determinamos nossas escolhas. Todas as histórias já foram contadas, inclusive as da Clarah, todos os filmes já foram feitos e dizem que os cineastas filmam o mesmo filme. Eu tenho certeza que sim. Clarah escreve livros, narrativas literárias. Não interessa se fundadas em sua vida real ou imaginada, pois a operação da escrita é uma operação de ficção, pois você exerce o poder do narrar, que é sempre uma escolha, um recorte, uma visão de mundo, uma possessão.
Os livros que adaptamos são da Clarah. A Camila da Clarah foi o início da procura pela minha Camila, que é mais do Fante. E nela estão todas as Clarices, todas as Anas, as Cristinas, as Hildas, as Duras, as Espancas e, principalmente a Margarida. Camila se constitui espelhada num hipertexto de mulheres intensas, ricas, contraditórias, histéricas, generosas, íntegras, corajosas, tais com, inclusive, Santa Tereza D'Ávila que está nas telas copydeskada pelo Murilo:
Nada me resta
senão me perder em você,
senão morrer um pouco,
senão gozar sem saber
do que se goza.
Camila é uma personagem vertiginosa que principalmente existe porque encarnada em Leandra Leal. E que afirma o seu tempo regido por Vânia Debs. Nos 'tempos' da voz interna da Camila/Murilo, da Camila/Leandra, da Camila/Vânia. Camila tinha que encontrar sua voz singular e escrever seus textos no tempo da leitura na tela. E com essa visibilidade ganhar a dimensão poética que a personagem tem no filme. Um tempo e um texto minuciosamente tricotado pelo talento de Viviane Mosé, da Vânia Debs, da Elena Soárez e da Melanie Dimantas. E de todas as mulheres intensas e incríveis que se tornaram presentes.
Nome Próprio precisou dessas vozes para ser o filme que é. Portanto esse Nome também não é o meu. É dele, do filme.
Murilo Salles
Estamos promovendo em parceria com o MySpace Brasil o concurso de trailer do filme pra internet. É assim: a gente liberou 20 minutos de trechos selecionados do filme e mais algumas músicas da trilha pra você montar do seu jeito!
Você baixa as imagens em http://sharebee.com/a15a5614, baixa as músicas em http://sharebee.com/c625598a, monta sua versão em qualquer software de edição e manda o link do vídeo pelo MySpace TV com os seus dados completos (nome, cidade, contatos, blog) até dia 10 de junho para o e-mail nomeproprio.filme@gmail.com
Os trailers mais legais vão ser linkados no MySpace oficial do filme. Um júri formado pela equipe de produção de “Nome Próprio” vai escolher o melhor, que vai fazer parte dos extras do DVD do filme e entrar com destaque na home do MySpace Brasil. O resultado sai no dia 18 de junho.
Se liguem que o tempo final do trailer é de 2 minutos, e o objetivo é chamar o máximo da atenção de quem está sentado na sala do cinema, comendo sua pipoquinha, antes do início da sessão!
Passo a Passo
1) Baixe as imagens em http://sharebee.com/a15a5614
2) Baixe as músicas em http://sharebee.com/c625598a
3)Monte um trailer de até 2 minutos em seu software preferido
4) Publique o vídeo em http://vids.myspace.com
5) Mande o link e seus dados completos para nomeproprio.filme@gmail.com até o dia 15 de junho
6) O resultado sai no dia 20 de junho
Há uns dez dias atrás disponibilizamos a primeiríssima versão do roteiro do filme, escrita pela Elena Soarez, e adoramos a polêmica que ele rendeu! Teve gente achando esse roteiro muito melhor que o filme, teve comparações entre o roteiro, o filme e a obra da Clarah, teve gente argumentando que "Nome Próprio" é inspirado nos textos da Clarah e não uma adaptação, enfim, a coisa rendeu!
Rendeu tanto que resolvemos disponibilizar agora a última versão do roteiro, a nona, escrita pelo Murilo. Essa foi a que foi filmada mesmo, pra que vocês possam comparar agora o que existia no papel e o que ficou no filme. É super interessante ver como as palavras viraram imagem, e no caso desse filme, como elas continuaram palavras mesmo - só que escritas na tela.
Clique no link a seguir par abaixar o roteiro: 9º Tratamento: roteiro filmado
Edição e Divulgação de Internet
Flávia Durante
Edição de Texto
Maria Resende e Léo Bittencourt
Webmaster
Leonardo Cabral
Teasers
Pedro Rossi e Gabriel Durán
Produção e Parceria
Big Bonsai
Deborah Osborne
Gilberto Topczewski
Felipe Briso
Direção Geral
Léo Bittencourt
Saiu hoje no jornal O Povo (CE) uma matéria muito interessante sobre criação colaborativa.
O filme também foi citado no SPFW, Pós-Pop, Revista de Cinema, Gafanhoto, Info News, Don't Touch My Moleskine, Triplo Sentido, Eu, ela, o cão e o affair redivivo, E aí, bonitão, Condussão, A discussão pela discussão, Urbanblog, Trash It Up.
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