Esse é o mundo de Camila. Nele ela se inscreve. Escreve. Uma escrita cunhada pela vida, por sua vida. Uma escrita das paredes, do chão, dos seus poros.
Camila vai até o fundo, até não ter quase nada. Só, ela pode criar o tempo, ouvir seu corpo, estar presente. Não são as frases que precisam ser criadas. Camila precisa ser criada. Recriada a cada tombo, a cada beijo, a cada nova musica. Na escrita ela é.
Começamos agora uma nova série sobre Camila, ou melhor, sobre o seu tempo, corpo e espaço. Sobre aquilo que faz dela o que ela é: uma escritora.
Primeiro e antes de mais nada,
O Tempo.
"A arte nunca pode ser reproduzida pela razão inteiramente desperta. A razão pode dar-nos a ciência, mas só a não-razão pode dar-nos a arte" E.H.Gombrich
Estamos postando hoje um texto sobre a fotografia de Nome Próprio.
Fotografia como extensão do corpo, do olho do diretor. Diretor que é fotógrafo e câmera. Uma fotografia nascida da relação de intimidade entre dramaturgia, atriz e espaço.
O diretor Murilo Salles apresenta a estética de Nome Próprio, filme olho.
FILME OLHO
Nome Próprio é um filme olho.
É o resultado da esfregação do olho de uma câmera com a potência do corpo encarnado de uma atriz.
Esse filme também é a história da conjunção do Diretor com o Fotógrafo num ser. É o primeiro Longa em que Murilo Salles/diretor é também co-fotógrafo e principalmente câmera.
Nome Próprio foi feito com uma equipe pequena por opção estética, porque é um filme sobre intimidade. Qualquer ruído entre a câmera e a atriz dispersaria a energia que fluiu entre um corpo sujeito e a lente.
Camila existe nas telas, pois estava presente no corpo e na alma da Leandra, habitou um espaço ‘elaborado’ por Pedro Paulo de Souza e sua precisão temporal foi esculpida por Vânia Debs.
Nome Próprio emana uma enorme energia que foi sugada do elenco/equipe.
É um filme-câmera, no recorte dos espaços, na exposição da exuberância barroca do corpo, da captação da luz naturalista concebida com a radical coragem de ser quase nada. Luz de lâmpadas de 100 volts, 200 volts ou florescentes. A luz que esculpe uma verdade. Uma luz ética, pois prescinde da sedução do efeito, do truque do falso contraste de pedestal enterrado. O digital sem enganação. O digital que vai dominar, pois é libertário.
Libertário de um poder da técnica do Diretor de Fotografia. Que encobre suas limitações exercendo esse 'domínio'. O uso abusivo da 'ferramenta' para encobrir a falta de pensamento estético, a falta de pertinência na adequação fotográfica e principalmente a ignorância mesmo. Agora, com o Digital, o olhar está libertado para além da técnica, pois no digital tudo vira preset.
O que interessa agora é a questão da inteligência do olhar. Do saber olhar.
Nome Próprio inaugura isso radicalmente. Não é um filme ‘da luz’ é um filme ‘do olhar’. Do desejo do olhar. Do pensar como olhar. Do construir o olhar. Que destaca inclusive o 'recorte da luz', mas agora não mais como uma técnica que se impõe, pois não é o que vai fazer a diferença.
O Digital é libertário como o ato Duschampiano: nos liberta do poder do domínio de uma técnica.
Não precisamos mais do domínio do pincel para fazer ARTE. Precisamos de pensamento, de linguagem, de conceito, de história e principalmente de poética.
Na fotografia ocorre o mesmo, precisamos da inteligência no olhar ( para recortar, decupar, enquadrar) para a construção da poética da imagem. Enfim, precisamos de inteligência, não de um Dom que Deus nos deu.
Nome Próprio foi feito também porque era para ser em câmera Digital, e ele é digital na forma e no conteúdo, assim procura sua coerência estética e formal.
SOBRE A FOTOGRAFIA do FILME
Texto escrito em 25/01/2006 para ser trabalhado com Fernanda Riscali / Diretora de Fotografia
Hoje não tenho a menor idéia de como é a fotografia que esse filme precisa. Temos que procurá-la, temos que encontrá-la. Ela será resultante dessa busca e das realidades que formos encontrando.
Fizemos uma OPÇÃO RADICAL: a via digital do filme. Isso tem a ver com o assunto do filme, o mundo virtual, a escrita via internet, o blog de Camila, e aí, na base disso tudo, o pixel. A estrutura do ASSUNTO está na base de nossa captação: o dígito. O zero e o um. A passagem da luz e a opacidade.
Essa opção vai influenciar/determinar completamente o trabalho de criação das imagens: sim, no UHR, estamos mais próximos de uma nova imagem, de uma imagem de constituição pixial, não granular. Uma questão nova.
A cor no pixel é o registro de três valores de brilho, um para cada cor primária: RGB. Não adianta tentarmos "aplicar" conceitos fotográficos/cinematográficos pois eles não irão funcionar da mesma maneira, apesar de podermos falar de brilho, contraste, iluminação, latitude, grão... e cor. Mas com um NOVO PENSAMENTO. Temos que aprender a pensar essa nova concepção pictórica. Pois, na fotografia digital vamos procurar "o que brota dessa nova base". Trabalhar o específico do digital ainda com compressão. SIM, porque estaremos trabalhando/gravando imagens com uma compressão 4:2:2 e projetando em 4:2:0. Não estaremos trabalhando com 2.2 milhões de pixels em nosso CCD (Alta Definição) com 1.920 linhas por 1080. Estaremos trabalhando no mundo muito menos definido e com menos informação de cor (720p). Não adianta querer brigar contra isso: é isso e vamos nessa, procurar uma imagem inteligente e pertinente nesse formato.
Nosso filme será um filme de câmera/um filme de olhar.
Portanto precisamos apurar a inteligência/sensibilidade do nosso OLHAR.
O conceito de "Cinema-Poesia" de Pasolini, eu substituiria aqui por "olhar-poesia" mantendo o rigor de percebermos o tempo todo que existe uma câmera como posicionamento estético.
PREVILEGIAR a relação de intimidade da câmera com CAMILA.
Esses são nossos CONCEITOS, nossos OBJETIVOS. Narrar com a câmera, uma imagem silenciosa que tenta desvendar os mistérios de Camila .
Existe um OLHAR FEMININO? O que é isso? Enquadramento, fotografia? Como criar uma "subjetividade feminina" na imagem? Como a câmera vai "exalar" um estamento feminino com seu olhar para as coisas e para a realidade?
COMO CONSEGUIR ISSO?
Essa é a nossa questão. E você como MULHER tem que me ajudar MUITO a pensar isso tudo. Esse é um primeiro "menu" de questões que temos que pensar e tentar responder, pesquisar, adormecer com elas, sonhá-las e resolvê-las.
Acho que o CONCEITO FOTOGRÁFICO vai surgir na junção de dois fatores:
1- A câmera que vamos usar; e, 2- As locações que serão escolhidas.
- Quando tivermos esses dois fatores 'sobre controle', vamos passar para uma fase experimental: gravar as locações com a câmera e ver como reagem a luz existente, de dia e à noite em todas suas sutis variações.
- Depois desse check-up, vamos decidir o que PODEMOS e o que DEVEMOS fazer.
- Nessa experimentação é que vamos DESCOBRIR o estilo visual e fotográfico do filme UHR.
Acho que do "paper" de PRODUÇÃO podemos tirar as seguintes questões:
1- Estudar um conceito de luz para cada locação - interior / exterior / dia / noite.
2- Resolver o problema de correção de cor quando misturarmos Luz Daylight com Lâmpadas Incandescentes (2.800K) na filmagem.
3- Criação, desenvolvimento e construção das "luzes", das traquitanas, e das "luminárias" auxiliares para a fotografia do filme.
4- Estudar qual a melhor e mais fácil traquitana para colocar a câmera pendurada no teto de ponta-cabeça.
5- Outra coisa IMPORTANTE E URGENTE PARA IRMOS PENSQUISANDO: qual o tamanho da nossa equipe? Quem são?: de elétrico, de movimento e o ajudante para os dois.
"Existe algo mais importante do que a lógica: é a imaginação" Alfred Hitchcock
A Camila de "Nome Próprio" tem origem na Camila da Clarah, que nasce da
Camila do Fante. Daniel não sabe nada disso, afinal ele está dentro do
filme. Mas ele sabe muito bem que a Camila dele, a mulher que ele deseja,
é leitora de John Fante, e adora "Pergunte ao Pó", o incrível livro que
narra as aventuras de Arturo Bandini tentando virar um escritor e a sua
história de amor e ódio por Camilla Lopez na Los Angeles dos anos 30.
Camila, a nossa, chama ele de pedante, mas é claro que adora. Ela que é
metade Camilla Lopez metade Bandini, vai fundo, como sempre, se apaixona
perdidamente e se abandona. A cantada literária vira um romance de cinema,
mas será que a vida real agüenta tanta intensidade?
"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que gera contradição, gera a vida"
"O que dá ao homem um mínimo de unidade interior é a soma de suas obsessões" Nelson Rodrigues

"Daniel Siqueira de Pádua. 27 anos. Musico frustado.
Migrei para a literatura panfletando poemas do Bukowski nos banheiros femininos da universidade.
Sou leitor atento do blog
Proponho troca de estímulos com a autora.
Desligo. Câmbio."
"Camila, vc é uma mulher de colhões. Isso é o suficiente para que eu beba em sua homenagem.
Vc deve ter sofrido para descobrir que escrever é mais importante do que morrer."
Isso é o suficiente para eu guardar seu nome.
Um beijo, o meu melhor beijo".
Daniel.
"Daniel, sabemos o quanto é dificil o oficio de viver.
Desata esse nó e venha na minha festa. Não tema. Meus colhões são uma metafora que você criou,
apenas isso.
Vamos, coragem. Apareça".
Camila.
"Excesso de vez em quando é bom. Impede a moderação de se tornar um hábito” Somerset Maugham
Edith Piaf canta “Je ne regrette rien” e a Camila afunda ainda mais de
paixão pelo Henri. Ele é fotógrafo, ele é francês, ele é lindo e deixaria
qualquer mulher louca. Mas a Camila é um pouco mais. Ela fica louca por
ele e de loucura se perde dele, perde ele. A Camila é um pouco demais. Ela
sabe disso, mas nem por isso sofre menos. E talvez, diferente da Piaf, ela
tenha sim os seus arrependimentos...
Atenção! O prazo para o envio do trailer para o concurso foi alterado!
Estamos promovendo em parceria com o MySpace Brasil, o concurso de trailer do filme pra internet. Liberamos 20 minutos de trechos selecionados do filme e mais algumas músicas da trilha pra você montar do seu jeito!
Você baixa as imagens em http://sharebee.com/a15a5614 e as músicas em http://sharebee.com/c625598a, monta sua versão em qualquer software de edição e manda o link do vídeo pelo MySpace TV com os seus dados completos (nome, cidade, contatos, blog) até dia 6 de julho para o e-mail nomeproprio.filme@gmail.com
Os trailers mais legais vão ser linkados no MySpace oficial do filme. Um júri formado pela equipe de produção de “Nome Próprio” vai escolher o melhor, que vai fazer parte dos extras do DVD do filme, entrar com destaque na home do MySpace Brasil e mais uma surpresa que breve será revelada! O resultado sai no dia 12 de julho.
Se liguem que o tempo final do trailer é de 2 minutos, e o objetivo é chamar o máximo da atenção de quem está sentado na sala do cinema, comendo sua pipoquinha, antes do início da sessão!
Passo a Passo
1) Baixe as imagens em http://sharebee.com/a15a5614
2) Baixe as músicas em http://sharebee.com/c625598a
3) Monte um trailer de até 2 minutos em seu software preferido
4) Publique o vídeo em http://vids.myspace.com
5) Mande o link e seus dados completos para nomeproprio.filme@gmail.com até o 6 dia de julho
6) O resultado sai no dia 12 de julho
PS: O concurso é livre, quem quiser usar outra trilha pode. A que colocamos é para auxiliar, somente uma opção. Não será critério de avaliação usar ou não as músicas do filme.
Conheci esse cara que dançava bem prá caramba, flertamos loucamente, estávamos quase efetivando o crime, quando chegou o amigo dele
Me apaixonei imediatamente por HENRI.
Caí de quatro, fiquei completamente louca por ele.
Não consegui dormir mais sem a mão dele na minha cintura, sei beijá-lo de manhã quando acordava.
“As únicas pessoas que interessam para mim são as loucas. Loucas para viver; loucas para falar; loucas para serem salvas; que desejam tudo ao mesmo tempo; que bocejam diante do comum e ardem, ardem como fabulosos fogos de artifício que explodem em mil centelhas entre as estrelas” Jack Kerouac
Começamos a postar a partir de hoje a série “Os caras de Camila”. São vídeos feitos especialmente pro Blog reunindo os melhores momentos dos 'caras' da Camila.
Camila é intensa, ácida, irônica e rock and roll até a última gota de sangue. E claro que uma moça assim tinha que ter muitos moços no caminho, até porque ela é do tipo que perde a amiga mas não a possibilidade de um novo amor. Ela não abre mão de experimentar os limites.
A gente estréia com Márcio, aquele amigo solidário que a Camila provoca de um jeito quase irresistível e que adoraria mudar de status mas acaba sempre se machucando nas confusões dela...


